7.30.2011

Pedalar com (pouca) cabeça

A ideia era hoje ter ido para a terra mas não se pode ir fazer AllMountain para Sintra com o corpo moído e a cabeça ainda pior. Mas precisava de uma boa volta por isso fiz-me à estrada com a DB apesar do vento e humidade que pairava sobre a serra. Foi um bom treino aí de 90 Kms com muito nevoeiro, piso molhado, vento, sol, de tudo um pouco. Na primeira subida à serra fui na cola de um estradista puro e realmente facilita imenso; um pouco de esforço e não descolei do moço que ia por ali acima a abrir caminho com bastante esforço. No topo não me esqueci de agradecer e na descida, com o alcatrão bem molhado, os pneus semi-slick da DB deram vantagem e dissemos adeus. O resto foi sempre sózinho mas fez-se bem até porque na serra o vento era menor e no regresso pela marginal aí ele estava de costas. Acabou por ser uma manhã mais bem esgalhada do que o previsto.

7.26.2011

Registo de Manutenção (travão da frente)


Coloquei a manete nova e a antiga, depois de mais uma endireitadela ficou como suplente, para uma emergência que se espera não acontecer :-)
Instalei o rotor da frente e levou com umas pastilhas novas; as outras ainda tem composto suficiente para uma outra qualquer emergência que também esperamos ocorrer no dia de são nunca à tarde.
Os pistões foram apenas lubrificados. A ideia era mesmo substituí-los pelos novos da foto; são já em resina e apresentam várias "dentadas". Mas vamos ver se aguentam mais um tempito que isso é tarefa para a qual não tenho aqui ferramentas (e também nunca experimentei sangrar uns travões).

7.25.2011


E o bem que sabe ter alguém que atravessa uma estrada a correr e se atira para os nossos braços? :-)))

E a filhota já anda de bike :-))

E pronto, aprendeu sózinha a equilibrar-se sem pedais e depois foi só passar para a bike maior e pedalar! Agora vamos ver se o gosto se mantém quando chegar a primeira queda :-)
Espero que o gosto por andar de bicicleta se mantenha mas não faço nenhuma questão que ela aprecie a vertente do TT. Aliás, medroso como sou, o melhor mesmo é que ela se fique apenas pelo rolar calmo :-)), não me estou a ver a deixá-la fazer certas descidas!

7.21.2011

Get a room! (a sério)

Ontem fui dar um outro giro a Monsanto. O terreno permanece rijo e escorregadio e a chuvita de 3f foi insuficiente para mudar o cenário. Portanto permaneceu também a necessidade de concentração. E não é que dou de caras com outro casal, este em acto puro e duro? Caramba! Já uma pessoa não pode pedalar descansada?! Enfim, desta vez não afectou tanto a concentração porque apesar da indumentária da moça ser BEM menor (inexistente....), havia demasiada matéria lipidica para o meu gosto. A manter-se esta tendência acho que vou passar a colocar no camelbak uns cartões de pensões com quartos baratinhos.

7.15.2011

Perturbações


4f foi dia de voltinha por Monsanto. Um misto de treino e descompressão no regresso a casa. Logo nos primeiros trilhos deu para perceber o quão secos e escorregadios os trilhos estavam pelo que me determinei a manter a concentração e evitar idas ao chão. Elaborei um plano para intersectar as melhores descidas no curto espaço de tempo disponível e evitar as repetições de troços de ligação. Eis senão quando num dos single-tracks iniciais tenho de pedir licença para passar a um jovem casal que estava também a iniciar-se em actividades algo distintas da minha e a visão que se me ofereceu era bastante semelhante à da foto. E pronto, lá se foi a concentração..... :-)

PS – ah sim, terminei a volta sem ir ao chão!

7.11.2011

10h de Sintra

Não, não foi uma prova mas levei uma coça como se fosse. Como achei que no domingo iria fazer algo leve (se andasse de todo), sábado estiquei-me um pouco e andei umas 4h30 pela serra a fazer alguns dos trilhos preferidos e a dar umas desbastadelas, aqui e ali. Os solos estão secos mas mesmo assim ainda com uma boa aderência. Quando à noite surgiu a possibilidade de domingo ir fazer uma outra volta disse que sim apesar de a partida estar agendada para as 7h30! Pensei eu que seria coisa ligeira. Pois sim! Mr ZL só queria subir e eu depois de uma subida imploro por uma boa descida (muito sofre Mr D :-), ciclo vicioso que se reflecte na altimetria global. Portanto quando chegámos ao fim eu estava gasto. Soube bem :-))

PS – foi engraçado fazer o “abano” em perseguição ao pessoal da Militia. A Titus portou-se à altura!

7.02.2011

Ask me why i don't cycle without a helmet


Para quem estranhe o título, a razão é simples. Tenho reparado num crescer do tópico para quê usar um capacete quando se anda de bicicleta. Originalmente o tema surge como uma oposição à obrigatoriedade de usar capacete, essencialmente em meio urbano, em nome da segurança e contra campanhas intimidatórias (em Portugal, diga-se, não tem havido qualquer campanha de promoção!). Mas é um tema que entra (e muito!) no domínio da estética (o uso vem associado a algo feio), da originalidade, da comodidade (capacete estorva, tolhe os movimentos), do que é o espírito de andar de bicicleta (um purista não usa). Depois esgrimem-se estudos, lobbies, estatísticas, fundamentalismos, trocam-se acusações e comparações, discutem-se tribos. Muito disto é dejá vu em outros temas que mexem com os gostos e liberdade de cada um e portanto não me chocam. Assistimos a discussões equivalentes com a introdução da obrigatoriedade do capacete nas motos e do cinto de segurança nos carros por exemplo (coisas que hoje todos achamos normais e sensatas). O que não me agrada é quando as “defesas” das partes usam argumentos tendenciosos ou totalmente desajustados, apenas porque dá jeito.
Talvez seja apropriado dizer agora que sou um convicto utilizador e defensor do capacete. Porquê? Não é pela estética embora os haja bem loucos. É porque me sinto mais seguro com ele, porque para mim é tão natural usá-lo na bicicleta como uso na mota (ou o cinto no carro). Porque não me impede de fazer nada, pelo contrário, dá-me a liberdade de fazer tudo. Posso ser ao mesmo tempo commuter e rider, deslocar-me sem stress à beira-rio, rasgar umas descidas em Monsanto, acelerar pela Marginal até Oeiras (tudo exemplos que acontecem frequentemente num mesmo regresso do trabalho para casa!). É um apoio para a lanterna quando me desloco de noite, ou para a câmara quando faço filmagens, impede o suor de me cair nos olhos, protege-me do sol e da chuva! Não o usava quando era puto na bmx, comecei por usar um de tiras de couro quando nos early eighties vinha de Queluz para a faculdade e era frequente os carros ultrapassarem pelas bermas e eu tinha “sangue na guelra” para vir em corrida com eles. Já utilizava um rígido quando o meu primo acordou no hospital depois de levar com um retrovisor por trás na cabeça, de um antigo aluno e colega ter falecido após ser atropelado por um cobarde que o abandonou na estrada a morrer, de um conhecido ter ficado inconsciente na marginal depois de ser abalroado por trás por um carro. O capacete esse já não é o mesmo porque entretanto parti 2, um deles num empedrado, numa distracção estúpida em que a roda da frente bate num obstáculo e saímos por cima da burra sem perceber o que está a acontecer. O actual também já impediu que vários obstáculos tivessem um encontro indesejado com o meu crânio.
Então que argumentos é que me desgosta ver esgrimidos? Eis os 4 principais que me levaram a escrever isto:
- “Eu não uso porque a obrigatoriedade leva a que menos pessoas andem de bicicleta”. Bem, eu não uso ou deixo de usar para convencer outros. Eu gosto de andar de bike de todas as formas, combinando desporto e lazer, independentemente do status quo que lhe esteja associado. Já agora, os poucos estudos completos que encontrei sobre o assunto (não apenas links a sites e afins) parecem indicar que a obrigatoriedade do uso (em forma de lei) leva a que menos pessoas usem a bicicleta mas passado algum tempo os números pré-lei são restaurados. Este efeito é mais notório nos jovens o que pode estar também relacionado com a imagem menos “cool” do seu uso (Perdoem aqui a minha “afficion” mas um adulto que goste MESMO de andar de bicicleta não deixa de o fazer porque passou a haver uma lei que o leva a usar o capacete). Naturalmente, existirão situações pontuais em que o capacete seja uma limitação (e não me estou a referir aos caricatos da senhora que vem do cabeleireiro…!) mas sendo pragmático, uma lei é feita para acomodar uma maioria de pessoas e situações e envolve uma margem de compromisso da sociedade. Tal como interiorizámos o uso na mota e o cinto no carro, também aqui uma sensibilização pode fazer a diferença; a minha filha e o meu sobrinho por exemplo agarram naturalmente no capacete quando vão andar de bicicleta e não foram necessárias intimidações com lesões cerebrais permanentes ou sevícias corporais.
- “Há estudos que mostram…”. O problema aqui é ir-se buscar o que nos dá jeito sem nos preocuparmos muito com a validação e a interpretação dos dados correndo o risco de algo se tornar uma pseudo-verdade à custa de ser repetido ad nauseum. Veja-se por exemplo “bicycle helmet” na wikipédia e encontra-se um artigo muito sóbrio identificando bem os 2 lados da questão e mostrando que há dados pró e contra e – aqui reside o busílis – na sua maioria não são comparáveis ou são ainda inconclusivos (veja também ESTE mais recente). Ou são feitos com diferentes grupos etários, ou em diferentes países, ou não especificam o título de utilização, etc (por exemplo se eu extrapolar dados de Amsterdão - com uma extensíssima rede de ciclovias - para o Porto arrisco-me a sérias distorções). E a mais das vezes, os autores “estimam” ou “sugerem” e os grupos prós e contra fazem logo a conclusão que mais lhes convém. De tudo o que li até agora parece-me indiscutível que o capacete reforça a protecção passiva de quem o usa (se devidamente colocado!), diminui a gravidade de lesões cranianas mas só por si não o iliba de riscos e muito menos da responsabilidade de praticar uma condução defensiva.
- “O capacete não é necessário se andarmos com calma”. Se intrinsecamente este argumento tem alguma validade, ele tem contudo de ser associado a um risco e probabilidade. Eu posso argumentar o mesmo quando vou na mota (nunca tive um problema) mas mantenho os elementos de segurança passiva devido à probabilidade de ter um acidente quando circulo numa rodovia. Portugal tem ainda muito poucos Kms de ciclovias (e concentrados nos grandes centros urbanos) pelo que, para a esmagadora maioria, pedalar significa andar na estrada (passeio não conta, esses são para os peões!). E tendo em conta a estrutura e “dinâmica” das nossas estradas (e.g. bermas reduzidas ou inexistentes), acho por demais aconselhável o casco na cabeça. Este argumento tem ainda implícito que numa utilização “radical”, o capacete é altamente desejável (obrigatório...?) o que, na óptica de uma possível lei, obrigava os legisladores a distinguir o tipo de utilizadores. Pouco exequível, convenhamos…. Acresce ainda que a faixa etária onde a probabilidade de acidente é maior é nos jovens (porque os jovens querem tudo menos andar com calma) o que tornava a coisa ainda mais complicada.
- “Se é por uma questão de segurança, então porque não andas de armadura?” ou as variantes do género “porque não usar capacete no carro?”. Deixei para o fim o que considero mais demagógico pois sabemos todos muito bem que qualquer actividade na vida envolve riscos e que definimos compromissos em função da probabilidade de algo mau ocorrer versus o prazer que tiramos dessa mesma actividade. Nos carros desenvolveram-se ABS e airbags, nas motos não dispensamos precisamente o capacete pois protege a parte do corpo onde uma lesão tem mais probabilidade de ser irreversível. No limite, eu poderia ter escrito este texto sem braços ou sem pernas mas nunca sem cérebro!


PS – se ao chegar aqui ainda mantém o propósito de tomar uma opinião simplesmente em função de números, não entendeu o meu objectivo e isto até pode ajudar a escolher a opinião oposta à minha: dos 3 acidentes que referi acima, o único que já não está entre nós levava capacete!