
Este fds, estando a Titus na revisão (folga num dos casquilhos) ando a exercitar-me numa outra bike, a Stumpjumper da foto, cortesia dos meus amigos da Mega Aventura. Por diversas vezes já aí tivemos despiques humorísticos sobre a qualidade das Specialized versus a minha Titus. Até agora, cada um defendia a sua dama baseado apenas em suposições já que ninguém tinha efectivamente testado o outro lado. E quando digo testar não é apenas trocar de bike durante 50 ou 100m. É fazer bastantes Kms, em locais conhecidos, com a bike devidamente ajustada. Ora, cerca de 75Km volvidos, posso então deixar aqui o honesto testemunho/comparativo que prometi ao MegaMário. Aqui vai:
- A bike testada é um M com componentes de gama média. Estes componentes são obviamente importantes para a performance mas ficam para um outro post (os mais relevantes). Neste vou focar essencialmente no desempenho geral do quadro.
- As dimensões principais estão ilustradas na foto. Resumidamente pode dizer-se que esta Stumpjumper é uma máquina mais pequena que a minha Motolite (também M). Sendo a distância entre eixos das rodas semelhante nas 2 bikes, a stumpjumper é mais baixa em cerca de 2,5cm (distância do eixo pedaleiro ao chão), o quadro é cerca de 4 cm mais curto e, com um avanço de 90mm (o meu é de 100), a distância entre o guiador e o espigão é 8cm mais curta que na Motolite. Em contrapartida apresenta um ângulo mais aberto na coluna de direcção.
- Estas diferenças na geometria tem como principal consequência um excelente desempenho em single-tracks rápidos e sinuosos. Esse é sem dúvida o local onde a Stumpjumper mostra toda a sua agilidade; a curvar, a descer ou subir aquilo é mesmo eficaz e muito divertido. Foi uma positiva surpresa. É além disso uma bike ultra-estável, muito manobrável, quase intuitiva; o “brain” funciona como uma mais-valia aí em 95% dos casos. É uma bike que “puxa” o seu dono para uma utilização mais específica, menos versátil mas que lhe tolera muitos erros. Não é uma estradista, é uma gozona, uma bike de que se gosta ao fim da primeira descida.
- Já a menor distância ao solo, se lhe dá estabilidade, faz com que em zonas mais técnicas (drops, buracos, etc), os pedais batam no chão e que o prato grande chegue a bater com os dentes no solo. Isto limita-lhe a frequência de alguns (poucos) trilhos mais agressivos e diminui-lhe a polivalência. Neste ponto a Motolite leva ainda a palma pois tem uma maior gama de zonas (ex: DHs, drops grandes, etc) às quais se adapta bem.
- O quadro mais curto pode ser uma vantagem em termos de manobra e agilidade embora torne o pedalar mais esforçado, principalmente devido à nossa posição no selim relativamente ao eixo pedaleiro.
- Em conclusão a stumpjumper, é uma máquina mais direccionada, muito divertida, uma all-mountain que servirá na perfeição os gostos e necessidades de uma maioria de pessoas. Não é uma all-in-one e só por esse aspecto, eu ainda me inclino para a Motolite, mesmo sabendo que perco alguma agilidade. Mas reconheço que não foi um sacrifício estes Kms numa outra bike, antes pelo contrário.