4.30.2007

Tempo valioso

Este domingo para fazer os Kms que queria, ao ritmo que queria, tive de declinar companhia que fortuitamente encontrei no local da partida. O tempo escasseia e à medida que ele passa vou tendo menos vontade de me comprometer com coisas que não sejam do meu inteiro agrado (o que é extensível a actividades extra-pedal). Isto deve ser um misto de feitio e idade porque mesmo só me divirto bastante. Já vou entendendo um pouco melhor a retórica de Mr G sobre a experiência de andar sózinho. Mas um dia destes vou ter de intervalar com um convívio mais alargado senão fico tão ciclisticamente sociável como o lince da malcata.

4.28.2007

Psique


Já no declínio da sua carreira o piloto Gerhard Berger, num ano de provas e resultados cinzentos sacou a pole, dominou e ganhou o GP após o pai ter falecido. Já um amigo de infância que tradicionalmente se move à velocidade de um Koala, quando perseguido por um cão saltou para cima de um muro com a agilidade do bicho do seu apelido. O condicionamento psicológico (estado de espírito) é algo notável que influencia bastante o nosso desempenho físico. A semana passada, cansado e sem grande pica, “cortei-me” em várias descidas mais perigosas. Faltou aquela energia adicional para vencer o receio da queda. Hoje, fui repetir alguns desses troços e foi sem hesitar que galguei os obstáculos. Já para não falar de ter feito cerca de 15 Km a mais que o usual. A psique é notável.

4.25.2007

Liberdade


Parece haver um aspecto psicológico comum nos desportos radicais. A existência nos momentos mais extremos (uma descida técnica, uma onda grande, uma parede com poucos apoios, etc, etc) de uma sensação de liberdade absoluta. Durante esses momentos, nada mais existe, apenas nós. Adoro esses instantes. Hoje, em que precisamente aqui no burgo se celebra o dia da liberdade, custa-me verificar que cada vez menos pessoas valorizem este conceito. Obviamente não me refiro à prática dos desportos. Mas sim que se multipliquem sinais na sociedade que desculpabilizam (e validam até) atitudes prepotentes (tomadas por “firmeza”). Que mais vale uma má decisão que não tomar uma. Que se saude autoritarismo baseado na força e não na razão. Eu que era um puto em 74 mas até sei onde estava (Voz do Operário), continuo a achar que o 25 de Abril foi uma coisa óptima.

4.24.2007

Primeira vez


Há sempre uma primeira vez para tudo mas confesso que esta me surpreendeu. Desde que uso tubeless (à volta de 6 anos) já dei muitas pancadas com os pneus. Algumas frontais em que ficamos a pensar “como é que isto não rebentou?”. Outras laterais que levaram àquele “descolamento” microtemporal da parede do aro e consequente recuperação com um sonoro POW. Mas na última volta a pancada foi tão forte que o pneu vazou completamente mesmo, como se fosse um snake bite. Inicialmente pensei que teria rasgado mas não. Uma câmara de ar permitiu terminar a voltinha pois voltar a encher um tubeless com uma bomba pequena é tarefa ciclópica. Hoje tive tempo para avaliar os eventuais estragos. O pneu está incólume, foi só mesmo uma súbita e drástica perda de ar. E esta, hein?

4.23.2007

Surdos-mudos ou tímidos?

Não conheço nenhum surdo-mudo que faça BTT. Talvez porque seja um desporto que necessite de bastante equilibrio e porque perdas auditivas causam frequentemente alterações na percepção do centro gravitacional. Mas quem anda nisto já há uns anos fica com a sensação que o número aumenta desmesuradamente a julgar pela quantidade de pessoas que não diz nem responde a um simples “bom-dia”. Claro que também podem ser apenas tímidos...

4.20.2007

S. Pedro



Confirma-se. O S. Pedro lê este blog e os seus posts mas TAMBÉM não lhe presta muita atenção. Mas parece que vem aí uns bons dias para a prática da modalidade.

4.19.2007

Prioridades (esquisitas?)


Assim nem parece que foram mais caros que os sapatos do casamento. E isto é apenas um exemplo no outfit geral. AH, e caso tenham dúvidas, estou longe de ser uma excepção :-))

4.17.2007

Colagens



Por vicissitude profissional, até não me seria muito dificil comprovar se o velho slogan da Super cola 3 (colar cientistas ao tecto) é efectivamente verdadeiro. Mas, não sendo coisa muito prática, e tendo eu terminado a meio de uma reparação a usual “cola de cimento”, optei por colar os 2 últimos remendos no pneu tubeless com a dita supercola3. Como remendo, um pedaço de uma velha câmara de ar. E olha, funcionou muito bem. Vedou o pneu, não lhe conferiu uma rigidez acrescida de monta e passados 90 Kms não há sinais exteriores de Magik Seal. Para os que pensem aproveitar a ideia, só uma dica: ao contrário da cola de cimento, não deixem lá os dedinhos a pressionar o remendo, excepto se, literalmente, quiserem deixar uma assinatura digital na obra!

4.15.2007

Dias perfeitos

Neste fds veio-me diversas vezes à memória uma musica batida, não a do Sérgio Godinho que também é bonita, mas o Perfect Day do Lou Reed. 2 x45 Km, óptima temperatura, trilhos giros, zero problemas. E com o fim da “saison” das chuvas, o concelho de Mafra voltou a ser opção ciclável. Tratamento completo, Body & Soul !

4.11.2007

Provérbios intemporais


Diz a sabedoria popular que Abril águas mil mas também que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal. Contudo, se este mês tivermos sol de 6f a domingo e chuva no inicio e meio da semana, eu ficava bastante contente. Reposição nos aquíferos, solos compactos, pouca lama, muita boa disposição. Wishful thinking?

4.10.2007

O artista

O verdadeiro artista não cai da sua bike, salta graciosamente em movimento. Normalmente isto traduz-se, de forma mais vernácula, por espalho trágico-cómico (trágico para quem cai, cómico para quem observa). Não sei aliás se outros terão a mesma tendência para nomear as descidas de acordo com as quedas que já ali se registaram. Ele é a do “escafóide” (onde parti o dito), a do Valdi (tralho e resgaste épico mas sem consequências para o rapaz), a árvore de Mr A, etc, etc. Mas estes fds, sem ninguém que pudesse testemunhar, tive uma saída verdadeiramente graciosa, daquelas que gostava de ter em vídeo (para isto não parecer história de pescador). A descida era bem inclinada e cavada pelas água, eu deslizando num sulco bem devagarinho, rabo quase a tocar na roda traseira. Eis que a roda frontal prende numa pedra, a bike em câmara lenta inicia uma “égua”, os sapatos soltam-se do encaixe, as pernas por cima do guiador, o corpo permanece direito; os olhos apercebem-se de um ramo pendente, as mãos agarram-no, o ramo dobra suavemente permitindo que eu saia por cima da bike e “aterre” de pé (como uma cena de duplo bem ensaiada) e ainda agarre na máquina. Não faço outra!.
(PS – a sério , foi verdade !!!!!)

4.09.2007

Limpar a mata?

Os meus avós eram agricultores e passei por isso muito tempo em meio rural-florestal. Cada época do ano tinha as suas actividades. Definitivamente, era no Inverno que se roçava o mato da floresta e se faziam as queimadas. Para já é menor o perigo de fogos. Depois o material vegetal que não se apanhava, ficava lá no solo, decompondo rapidamente (graças à maior humidade) e servindo de substrato para os rebentos da primavera. Isto é empírico, não é preciso uma grande carola para o perceber.
Então alguém me pode explicar porque é agora, apenas agora, que alguns serviços camarários encetaram a limpeza? A folhagem que lá fica agora não apodrece, seca e portanto é uma fonte de combustão maior do que o arbusto vivo. Dificulta a germinação e o rebentar de novo material verde que por sinal é muito menos combustível. Veja-se por exemplo o que Gonçalo Ribeiro Telles vem dizendo há muitos anos a propósito disto (e reafirmado este domingo na revista do Sol). E alguém liga ao homem que sistematicamente tem acertado nas sua previsões? Burro não é quem faz um erro, é quem teima em não aprender!

4.08.2007

Descendente I


A miúda parece dar-se bem com o pedalar e até exercita os travões. Tem cuidado com o que pedes aos Deuses; eles podem conceder-to!

4.05.2007

Essencialmente desnecessário


Com o passar dos anos habituei-me a que o telemóvel seja um acessório indispensável nas voltas de bike. Realça-se aqui o paradoxo mas o facto é que NUNCA ele foi verdadeiramente preciso. Lá se recebe um ou outro telefonema coloquial, geralmente atendido com voz arfante que necessita de imediata contextualização (“tou a meio de uma subida”). Ou se liga a dizer que chegamos um pouco mais atrasados ao almoço de família(*). Mas por motivos de queda, avaria grave ou algo semelhante nunca precisei dele. Knock knock on wood. No entanto, ontem perdi o meu e hoje de manhã, sem um, não arrisquei e não fui andar. Quem diria que por causa de algo que probabilisticamente não viria a precisar eu adiaria uma volta num lindo dia como o de hoje! Epá, será isto responsabilidade??

(*) a minha relação com o “bicho” é tal que sempre tive os mais baratos e com menos funcionalidades incorporadas; aquilo é para telefonar, period!

4.03.2007

Não lhe batas, contorna-o


Durante a vida encontramos inúmeros obstáculos e uma das coisas boas da experiência é aprendermos a lidar com isso. Um obstáculo pode ser transposto de várias formas, desde a tentativa de eliminação até ao completo contornar passando por formas mais ou menos criativas de suplantação. Isso decorre muito da nossa maneira de encarar as coisas, da força, das convicções, dos meios disponiveis, do engenho de cada um. Exemplo: se uma árvore cai num trilho podemos serrá-la, abrir um trilho à volta, fazer um pequeno shore por cima dela ou até ensaiar bunny-hops. Regra geral, não sou capaz de eliminar obstáculos pela força pelo que tentarei uma das outras opções. O que não devemos fazer é deixar que esse “trilho”, à primeira dificuldade seja eliminado dos nossos planos. Ou seja, sou adepto do “don’t smash it, spin it” que aplicado à arte do pedal significa que uma subida pronunciada se faz mais facilmente e com menor risco de lesões, não a “esmagar” o pedaleiro numa mudança pesada mas spinando numa mudança mais leve. Parece óbvio mas como continuo a ver tanto adepto do smash it...

4.02.2007

Descendente


Há uma máquina nova lá em casa. Mais simples que a Titus, V-brakes, pneus slick aí de espessura 1.4, single-speed, altura de selim e coluna de direcção ajustável...e roda 12! A miúda gostou bastante e começou logo a dar-lhe (com o seu capacete Bell, claro). Como não é daquelas bicicletas de miúdo em que a força necessária para pedalar é inversamente proporcional aos euros que custam, ao fim de 5 minutos e já ela dizia para a mãe “sai da fente!”. Mais uns minutos e apontou logo a bicicleta para a rampa bem inclinada que dá acesso ao piso inferior da garagem. Ahhh, os genes :-)))

4.01.2007

LC1 (ou Mr G Jr.)



O LC1 é uma bebida para miúdos, daquelas que os fazem crescer fortes e saudáveis. É isso que aqui o Pedalices deseja ao rebento que acabou de chegar e cuja sigla é idêntica. Isso e que pelo menos nos primeiros tempos dê umas noites mal dormidas ao pai. Pode ser que assim eu o consiga acompanhar :-))))