3.31.2007

Folga (II)

Todos os pontos de rotação foram revistos e lubrificados, os apertos dinamometricamente calibrados, a folga foi eliminada. Assim sim! Isto recorda-nos a necessidade de manutenção, mesmo em máquinas de precisão. Agora é de forma mais regular prestar atenção para que isto não se volte a repetir. Contudo, forgiven but not forgotten! (citação original atribuída a Aesop, outro grego). Acho que criei aura de picuinhas mas que querem, é o que dá trabalhar com o mundo microscópico :-))

3.28.2007

Cidadãos do mundo



Já o Sócrates (o Grego!) disse e o Metropolitano repetiu: “Não sou Ateniense nem Grego mas um cidadão do mundo”. Antevendo nalguns séculos a globalização o filósofo falava-nos assim de uma cultura universal que extravasa fronteiras. Isso é particularmente importante nas Ciências que hoje se quer feita “para fora”, em colaboração, em redes de trabalho (=networking). Por isso escrevemos artigos, relatórios, bolsas, pareceres, teses na língua científica universal, o inglês.
E o pessoal do BTT? Cidadãos do mundo, claro! Nas bikes fazemos drops, dirt, downhill, cross-country, all-mountain, freeride, passamos por road gaps,skinnies e shores, temos rodas tubeless para evitar os snake bites, entortamos drop-outs, testamos sistemas four-bar com horst link e amortecedores Pro-pedal em trilhos intitulados ride the lightning e kill’em’all. Pas mal!

Na bisga


A minha miúda anda sempre na bisga. Desde que acorda até ir dormir. No carro, quando no trânsito, pergunta porque vamos devagar(!). Não sei se é apenas “nature” ou um bocado de “nurture” já que os progenitores também vivem na bisga. Eu tento fazer as coisas de forma rápida e eficaz e frequentemente exaspero-me com os “lentos”. Tipo Obélix na Helvécia (já comemos, já bebemos, já cantámos, agora vamos lá apanhar a flor!). Na bike é o mesmo mas paradoxalmente retiro daí descanso. Houve uma altura em que considerei passar a andar com iPod mas receei enchê-lo com Vitaliks, Letfields e outros que tais e depois pedalar àquele ritmo tombando de exaustão ao fim de meia dúzia de Kms. Por isso continuo a pedalar de ouvidos desimpedidos. E acho que é o poder concentrar os 5 sentidos em simultâneo na mesma actividade que me proporciona o tal descanso, mesmo que fisicamente cansado. Começam a chegar as saudades de uma voltinha a meio da semana, é o que é!

3.26.2007

Folga?


Não, infelizmente não é um post alegre sobre férias de Páscoa e muita pedalada, mas um algo apreensivo sobre eventual folga no quadro. Ainda aqui há dias elogiei a performance para verificar que afinal, não tinha folga no pedaleiro mas sim num casquilho lá na rectaguarda. Ok, o inverno foi duro, pontos de rotação obrigam a manutenção, por vezes há peças menos boas, até as melhores marcas tem problemas, etc, etc. Mas o dito casquilho foi substituído e eu ainda noto uma folguinha. É quase ínfima, nem consigo determinar a sua origem precisa mas nestas coisas, mais uns Kms e o ínfimo dá lugar ao razoável. E numa máquina destas isso não é aceitável. Espero daqui a uns dias fazer outro post a dizer "problem solved".

3.24.2007

Tudo o que sobe...

Hoje juntámos um grupo que já não se reunia desde o Natal passado e fizemos um excelente passeio (na minha modesta opinião que o “desenhei” :- ). Um pouco de tudo, subidas técnicas, descidas escabrosas, trilhos rápidos, etc, etc. Noto que depois de andar umas vezes com o pessoal do Gang desço mais rápido. E hoje voei. Nalguns casos em sentido figurado, outros literalmente. O problema é que tudo o que sobe tem de descer e isso tem sabedoria. Numa sequência de 2 saltos abusei e como estava confiante saltei o primeiro e atirei-me ao segundo em má posição e excesso de velocidade. Para mais, este segundo é uma rampa ligeiramente levantada que são mais complicados (a frente já começou a descer quando a traseira ainda vai a subir). A recepção foi defeituosa com muito peso à frente e quando a traseira deu o inevitável coice perdi o controle e fui testar a dureza do solo. Não houve mazelas significativas nem danos no material, apenas (pasme-se) um arranhão no joelho. Mais importante, não houve retracção psicológica, até experimentei um certo “uauu, a minha primeira queda devido a um salto duplo!”.

3.22.2007

Contra


Um dia tão lindo e eu aqui dentro fechado. Sinto-me um bocado a contra-luz!

3.21.2007

21 de Março (*)


Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus húmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores
O prado ameno de boninas veste[...]
(Bocage)


(*) início da Primavera, dia mundial da poesia, dia mundial da árvore, remoção do guarda-lamas

3.20.2007

661 x 0 = 0

Tenho cá em casa várias coisas da SixSixOne. Não as comprei numa onda de Freeride mas porque precisava de algo e aparentemente, o que mais se aproximava do que eu pretendia (e estava disponível na loja) era desta marca. Não volta a acontecer! Nas luvas (de dedos) o velcro do fecho começou a descoser após meia dúzia de voltas. Para além disso tem pouco reforço na zona de apoio ao polegar. Nos calções achei útil as espumas laterais e na zona do cóccix para amortecer em caso de queda. Mas mais uma vez, bainhas a descoserem é recorrente. Pior do que isso é o facto de prenderem imenso ao selim o que dificulta nas descidas mais íngremes quando se “recupera” a posição. Já de umas caneleiras (adquiridas em segunda perna para os tempos dos pedais de plataforma e passeios mais agrestes) não há tanto mal a dizer. Só as correias é que são de um material que adere mal ao velcro e, volta e meia, lá é preciso ajustar. Números destes não quero mais.

3.19.2007

Balanço Invernal

Acabou o Inverno. Oficialmente só no dia 21 mas em termos ciclisticos, o próximo passeio já será na Primavera. Foi um Inverno algo duro para as máquinas com muita chuva e lama aumentando o desgaste das peças e a frequência de escorregadelas e idas ao solo. Nesse aspecto a nova máquina (e os componentes) estiveram à altura. Houve uma revisão à Talas e um cabo de bicha novo mas devido a quilometragem. Zero problemas com o RP3. Apenas uma vibração no pedaleiro a pedir lubrificação. A opção de instalar cassete e corrente nova antes das chuvas (e não no final delas) é para mim a mais acertada pois passo o inverno sem chupões. De todas as que já tive, esta é sem dúvida a máquina que, proporcionalmente, mais tem sido abusada (dureza e tecnicidade dos Kms efectuados) e até agora a performance é boa. Nota negativa apenas para a qualidade da pintura que, se comparada com a Santa Cruz é má. E como eu não gosto de disfarçar com “tóclantes” lá ficam as cicatrizes.
Outra nota menos boa é a dificuldade em arranjar quem esteja disposto a (cumulativamente) levantar-se da cama bem cedo, ser pontual, que goste de fazer bastantes Kms, técnicos, over and over.

PS - Complemento musical ao post: Beethoven, Sinfonia nº 6, Allegretto (Pastoral Song – Feelings of joy and gratitude after the Storm). Sim, porque o Beethoven também era um apreciador da coisa: " How happy I am to be able to walk among the shrubs, the trees, the woods, the grass and the rocks! For the woods, the trees and the rocks give man the resonance he needs."

3.17.2007

Purificação


Iniciou-se oficialmente para 2007 a época de purificação e renovação. A substituição do casaco pelo jersey de mangas curtas irá proporcionar, até ao advento do próximo Inverno, o contacto próximo, íntimo mesmo, com todo o tipo de arbustos, silvas, ramos e outros que adornam as laterais dos single-tracks. E assim, se estabelecermos o paralelo com algumas práticas religiosas, podemos considerar esta “auto-flagelação” como uma forma de purificação, uma renovação do espírito e da carne (ou, se tudo correr bem, apenas de alguma epiderme). Tal como um asceta, aproximamo-nos da verdadeira realidade espiritual (e do frasco do Betadine!!) ao desligar da imperfeição e materialidade. Apenas uma pequena diferença para o presente caso. É que, por definição, a ascese consiste na “prática da renúncia do prazer ou mesmo a não satisfação de algumas necessidades primárias, com o fim de atingir determinados fins espirituais”. Renúncia a andar de bike??? Isso seria mesmo metafísico e aqui ninguém acredita nessas tretas!!!

3.13.2007

Chorão


Chorão-das-praias é o nome comum da espécie Carpobrotus edulis, uma planta suculenta, rastejante, nativa da região do região florística do Cabo, na África do Sul. Em regiões com clima semelhante, como o Mediterrâneo e partes da Austrália e Califórnia, escapou ao controle humano e tornou-se uma espécie invasora. É bastante resistente ao fogo, tem longas raízes nodosas e pode propagar-se vegetativamente (isto é, a partir de um pedaço de chorão pode-se formar uma nova planta). É considerada uma praga nas zonas litorais dunares e de irradicação praticamente impossível. No último passeio lá lhe descobrimos uma coisa menos má: amortecer eficazmente quedas de ciclistas mais incautos (RB, votos de melhoras:-).

3.12.2007

Winter blues (are over)


2 dias com sol e uma temperatura amena. As saudades que eu já tinha disto. Pedalar sem frio, pouca lama, solos com aderência, bike com manutenção mínima, à tarde ir ao jardim e aos baloiços com a miúda, boa disposição em contínuo. Até ter ido viver para a Escócia nunca tinha dado ao Sol a importância que ele tem na nossa forma de estar. Não é apenas o calor gerado, é também o bem-estar que vai além do aspecto psicológico. A exposição directa, casual, da pele à luz solar é o meio biológico normal, mais comum e mais importante para atingir níveis suficientes de vitamina D em seres humanos. A falta de exposição à luz solar, em caso extremo, pode levar a um tipo de depressão conhecido como Depressão Afectiva Sazonal que resulta de uma baixa produção de seratonina (um neuro-transmissor) e uma maior produção de melatonina. Pois este fds a seratonina disparou e com ela a minha ânsia por mais dias destes.

3.11.2007

Uauu !

Quando num passeio numa zona já conhecida se faz um trilho novo fenomenal é óptimo. Agora quando se fazem dois de ficar com água na boca é obra. Mesmo (ou especialmente? :-) quando implicam várias ameaças à integridade física. O meu tributo ao Gang-duo-guia de hoje.

3.07.2007

Limpa ou suja?


Esta semana, devido a afazeres vários, ainda não tive tempo de limpar a bike após a volta do fim-de-semana. Já aqui referi algures que é mais forte que eu ir fazer um passeio com ela suja por isso, nos próximos 2 dias ainda tenho de arranjar um tempito para, pelo menos, limpar a transmissão e os pontos móveis reduzindo um pouco o cocktail pedológico que vai por aquele quadro (*). Isto não é tanto um comportamento obsessivo-compulsivo com a limpeza mas essencialmente uma forma de verificação dos componentes-chave (se não há folgas, desalinhamentos, etc).
Mas leva-me a outro assunto ou dúvida recorrente. A bike é mais gira limpa ou suja? Se limpa, realça a elegância das linhas, os componentes e os pequenos pormenores que a tornam única. Mas suja dá um ar mais dinâmico, “rough”, uma certa “dirtiness “ (literalmente) que a torna apelativa. Passe o chauvinismo é como comparar entre uma mulher impecavelmente vestida ou após um treino no ginásio. Opiniões?


(*) “A cadeia montanhosa da Arrábida, bem como a área de planície que a circunscreve têm uma grande diversidade de solos devido à multivariada constituição dos materiais rochosos que constituem a rocha mãe que está na origem dos mesmos. A grande maioria dos solos é de origem sedimentar aparecendo no entanto, especialmente na região de Sesimbra algumas intrusões eruptivas. Todo o modelado hoje visível na Arrábida depende não só de aspectos ligados à tectónica e à erosão mas também daqueles que se prendem com a geologia da área constituída em grande parte por rochas calcárias e dolomíticas ou detríticas.” (In: www.icn.pt/TurismoNatureza_anexos/PNARR.pdf)

3.05.2007

Etapas


Este post é colocado no dia do meu quadragésimo aniversário, para permitir que chovam os votos de parabéns e os comentários. Entro nos “entas” literalmente ainda com boa pedalada e com vontade de continuar nisto por mais uns quantos anos. Em retrospectiva, já passei muito tempo a dar ao pedal. Se excluir o triciclo da infância, comecei numa bicicleta vinda da Finlândia com travão apenas à frente e pneus brancos. Fazia a rua de casa da minha avó vezes sem conta e parecia-me uma distância enorme. Depois vieram os tempos da “BMX”, a Vilar Tiptop com mudanças de cubo, as derrapagens, os cavalinhos, as quedas, as idas à praia. Passava os Verões naquilo (e a arranjá-la!!). Seguiu-se a Órbita de estrada e esta até para a faculdade a levava. Curiosamente, nunca gostei da “estrada” e deste período não tenho grandes recordações (pela negativa, a minha maior queda). Debutei no BTT com uma Birrodas que durou alguns meses e deu inicio à escalada que incluiu Wheeler, Schwinn, BH, Mondraker, Santa Cruz e agora a Titus. Por esta altura perdi completamente a noção de quantos Kms já terei feito mas se ainda vier a fazer outros tantos era fixe.

3.04.2007

Espichel


Este sábado, farto dos trilhos mais próximos resolvi ir até aos lados do Espichel. Uma variante de um passeio que costumava fazer por lá, agora um pouco mais longo (45 Km), passagem pelo Meco, com alguns aspectos mais técnicos mas, no cômputo geral, um passeio bonito, rápido e bom para descomprimir. Umas zonas mais trialeiras enalteceram o conforto e equilíbrio acrescido da Moto-lite enquanto que os trabalhos forçados a subir a Serra de Sintra se revelam determinantes para uma boa forma durante o Inverno. Eu que não gosto de passar frio regressei aos calções e aos jersey interiores de manga curta e não me queixei, sinal que a Primavera está quase aí a chegar.