9.27.2006

Geometrias


A experiência é uma coisa muito interessante. As escolhas tornam-se mais ponderadas, atentas ao detalhe, vêem-se pormenores que dantes escapavam. Por exemplo, os primeiros quadros (bikes) foram comprados mais na base do preço e de estéticas apelativas; critérios imediatos! Com o conhecimento (e a ideia de trocar de quadro...), os critérios são mais exigentes, a estética passa a andar a par com a tecnologia, com os materiais e qualidade dos acabamentos. Foi isso que me fez na altura decidir pela Santa Cruz. Nesta fase, introduzimos um novo critério, a geometria. É engraçado porque é raro ver um comparativo numa revista de bikes que analise com detalhe as dimensões e ângulos dos quadros. Podemos argumentar com capacidades geométricas inatas mas parece-me um pouco redutor. Os sites dos bons fabricantes costumam disponibilizar esta informação pelo que as comparações até são fáceis. Eis alguns dos aspectos que a mim me pareceram mais relevantes, não necessariamente por ordem de importância:
- bb height (distância do pedaleiro ao solo) – num quadro FS este valor poderá variar muito com o nosso peso e a pressão do amortecedor. Mas por exemplo, o da Superlight (30,8 cm) é baixo fazendo com que em percursos mais irregulares o crank possa bater no solo. Em contrapartida, valores mais altos implicam um selim mais alto e consequentemente uma maior inclinação do corpo (que pode ser compensado por uma frente mais elevada).
- chainstay (distância do pedaleiro à cassete) – valores mais curtos significam mais agilidade e maior capacidade de manobra.
- top tube (distância do tubo do espigão à cx de direcção) – este valor juntamente com o do avanço tem de se adequar à nossa altura. Valores mais baixos implicam maiores avanços e uma menor estabilidade.
- head tube (comprimento do tubo da direcção) – valores muito baixos implicam maior instabilidade no comportamento da suspensão.
Feito o comparativo, mais umas estrelas para a motolite.

9.25.2006

Fight Club


Cada vez que vou andar sózinho sinto-me um pouco com o Ed Norton no filme e acabo a dar-me grandes tareões. Não há paragens ou comentários no final das descidas, como pouco e escolho percursos com o mínimo de zonas rolantes possível. Num fds em que Sintra estava quase vazia (sempre há coisas boas em haver maratonas :-) ) e em que a chuva optimizou o piso, deu para fazer uns trilhos novos, rever uns antigos e ir pensando sobre o troco-não troco de quadro. De todos os locais que já vou conhecendo, Sintra ainda é o único a evidenciar os limites da Superlight.

9.20.2006

Baby boom

Tributo do Pedalices à Madalena, do hebraico "cidade de torres, cabelos penteados", pessoa de personalidade serena. Votos para que seja mesmo assim, não dê noites mal dormidas nem chatices e assim o papá A poderá continuar a vir pedalar connosco :-))

9.19.2006

Na serra

Lá se fizeram os 78 km de travessia da serra. Confirma-se um pouco a “moda” de dar mais ênfase aos Kms percorridos do que à dificuldade do percurso; tirando uma ou outra secção o percurso era apenas rolante. Valeu por conhecer alguns trilhos novos e aprofundar a minha convicção que o melhor do PNSAC está à volta de Porto de Mós. E por testar novamente a resistência (física e mental) ao fazer o percurso a uma média de 16,4. Não se pode dizer que tenha ficado fã da organização. Lá na frente a partir dos 40 Km o meu guia adoptou a atitude “acompanhe o meu ritmo quem quiser e vemo-nos no final” o que não se pode considerar muito simpático. Grandes tempos de espera e um final um bocado ad-hoc.
Enfim, foi mais uma experiência globalmente positiva. Ironicamente, num dia com tantos kms as quedas ocorreram...em casa: eu tropecei a subir as escadas e a piolha, na sua primeira noite em cama de criança veio parar às almofadas. Em ambos os casos não houve consequências :-)

9.14.2006

Ir ou não ir...


...eis a questão. Bora lá !
O PNSAC é um dos meus parques naturais preferidos. Nas zonas preservadas há uma intervenção humana forte mas subtil, harmoniosa. Não vale pela sua beleza "em bruto" mas pelo que lá foi feito no tempo dos nossos avós. Infelizmente também lá estão as horriveis e brutais pedreiras a marcar o "progresso".

9.12.2006

Confiança


Sabem aqueles exercícios em que uma pessoa se deixa cair de costas para que outra a apanhe? Parece muito simples mas de facto requer uma confiança “cega”, ainda que momemtânea. Este sábado dei por mim no equivalente de um destes exercícios mas em cima de uma bike. Descer depressa em trilhos cheios de regos fundos, “colado” ao da frente, e por sua vez com outra bike “colada" atrás, confiando apenas nas decisões tomadas por outrém. Já nos conhecemos há uns anos :-)

9.08.2006

Pico do Monge (Sintra)

Para quem não sabe a história:

Há 40 anos morreram 25 soldados num inferno de chamas na serra de Sintra
"Eu ouvi-os gritar. A pedirem água. A pedirem socorro. Coitadinhos, morreram todos." Estas são as memórias que Luciano Policarpo Duarte, de 64 anos, tem do fatídico dia 7 de Setembro de 1966 na serra de Sintra, quando 25 militares do Regimento de Artilharia Fixa de Queluz morreram durante o combate a um gigantesco incêndio que durou sete dias. Os homens que faleceram há 40 anos no Pico do Monge, em plena serra, foram ontem homenageados nesse mesmo local por militares, bombeiros e pelo presidente da Câmara de Sintra. Uma cerimónia contida mas sentida, sem grandes discursos, no meio de uma serra calma e verdejante, que se tornou num inferno de fogo, com uma frente de 20 quilómetros, nesse dia em que um pelotão do exército com 37 homens ficou encurralado no meio das chamas. Vinte e cinco jovens não conseguiram fugir à morte e, como ontem foi lembrado no discurso dos seus camaradas de armas do Regimento de Artilharia Antiaérea n.º 1, no mesmo dia da tragédia, D. António de Castro Xavier Monteiro, arcebispo de Mitilene, afirmou na missa que celebrou em memória das vítimas: "Mortos de Sintra presentes. A serra vos deu a morte, que ela vos dê a imortalidade merecida." No alto do Pico do Monge está um monumento em sua homenagem, onde ontem foram depositadas coroas de flores e rezada uma prece pelo oficial capelão. No local da tragédia, onde na tarde de dia 8 de Setembro dois engenheiros encontraram os corpos sem vida, erguem-se 25 ciprestes em sua memória. Luciano Duarte, o homem que cerca das 16h30 da tarde de 7 Setembro de 1966 foi testemunha da tragédia, ontem tinha lágrimas nos olhos ao recordar aquele dia que nunca mais esqueceu. Tinha saído da Malveira da Serra, onde ainda hoje reside, para ajudar no combate ao incêndio, mas os bombeiros aconselharam-no a molhar um lenço para proteger a cara e a sair do local. O fogo estava incontrolável. Ao avançar uns metros viu o carro do exército a arder e do meio da serra vinham as vozes. "A pedirem água. A pedirem socorro. Não tinham fatos especiais, só tinham paus para lutar contra as chamas. Ficaram lá todos."
In: Jornal Público 8.09.06

Fénix


A fénix é um pássaro mitológico que num final de um ciclo de vida, se consumia em chamas para depois renascer das próprias cinzas. É portanto um símbolo de um renascimento espiritual. Com o calor que ainda está, uma voltinha ao final da tarde a meio da semana assemelha-se muito à morte da fénix. Incineram-se calorias, ralações, renasce a boa disposição. Mesmo quando essa volta se faz a “abrir” tentando acompanhar o amigo para quem “prato 1” é algo onde são servidas as entradas !!!!

PS – ver a foto original aqui

9.06.2006

Moda, linhas e carbono


Já se sabe que hoje em dia o marketing de uma companhia não passa apenas por anunciar a qualidade do produto mas também a inovação. Cada dentífrico branqueia x% mais que o anterior, cada shampoo deixa os cabelos mais sedosos, blá, blá, blá. Assim o consumidor quer sempre o último grito. Há cada vez mais configurações de bikes de FS que não são verdadeiramente melhores, são apenas diferentes. Até agora predominavam as linhas rectas, por uma questão essencialmente de construção e união de tubos. Mas a moda do carbono está a chegar em força e lá se vão mais umas barreiras do design possibilitando modelos como estes. Bof, dêem-me lá o alumínio e as linhas convencionais que para unidade de carbono já chega a que vai em cima da bike.

PS – para “envelhecer” este texto aí 10 anos, substituir alumíno por cromoly e carbono por alumínio.

9.04.2006

Crostas


Essencialmente por causa das silvas, dos tojos e afins que proliferam no verão, esta altura é aquela em que mais crostas se vão libertando (algumas forçadas) dos meus braços e pernas. Duvido que seja original mas desde puto que tenho o hábito de agarrar naqueles pedaçinhos crocantes e de os trincar. Para além dos seus componentes fisiológicos (restos de glóbulos brancos, matrizes extracelulares, etc), a crosta tem ainda geralmente impregnado corpos estranhos que penetraram na ferida e que o organismo expele. Grãos de pó, areia, pequenos picos, que quando mordidos nos recordam a queda ou o trilho mais denso que deu origem à dita ferida, agora sarada. É como resolver o último detalhe de um problema.